ARTIGO - MOBILIDADE URBANA 

Por: Jose Bispo Morais

 

 

Os desafios da mobilidade urbana

Mobilidade no trânsito é o compartilhamento do espaço público com o objetivo de ir e vir em diversos meios, a qual sem a consciência de cidadania torna-se difícil o fluxo. Assim, o respeito às leis e ao próximo passam a serem os principais elementos para vencer os desafios da mobilidade e solução dos problemas de trânsito.

 

 

    

 A roda, usada pela primeira vez cerca de cinco mil anos, determinou toda a evolução da mobilidade do ser humano. Depois dessa invenção tudo mudou.

 Para sua sobrevivência, o homem dependeu dos mais simples meios de transportes, quer seja para se locomover de um lugar para outro ou para transportar produtos.

Com a domesticação de alguns animais, tais como o cavalo, o burro e o boi o transporte terrestre cresceu porque o homem percebeu que poderia usar a força animal para sua mobilização e transporte das cargas. Com o crescimento do número de veículos de propulsão animal, a preocupação com as vias passaram fazer parte da rotina. Nesse cenário, os romanos, em 300 a.C. saíram à frente com a construção de várias vias. À medida que iam estendendo suas conquistas, construíam estradas. Já na Idade Média, a combinação transporte e estradas tornou-se uma necessidade para todos os países. Até então, o homem não cansava de buscar um transporte que atendesse as suas necessidades de mobilidade com rapidez.

 

 

A evolução do automóvel através dos tempos: Do transporte por tração animal ao veiculo voador

 Desde então, a busca do aperfeiçoamento para a mobilidade não cessaram. O pensamento e investimento sempre nortearam os meios. Carros mais resistentes construídos à base de ferro. Num acidente quase nada acontecia ao carro, porém os ocupantes morriam facilmente. Esse pensamento, a partir da década de 1980 começou a ser repensado, ou seja, a estrutura dos carros deveria absolver mais o impacto de forma que os ocupantes fossem mais protegidos. Isso nos remete ao uso do cinto de segurança, o brasileiro não tinha o hábito de usá-lo em sua mobilidade. Havia um mito de que o cinto só deveria ser utilizado quando nas estradas, porém com a intensificação da fiscalização e a difusão do rigor das leis, houve uma mudança radical no comportamento dos motoristas. Hoje, a utilização do cinto de segurança é hábito comportamental.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ao ser instituído priorizou a educação e a preservação da vida dos motoristas e pedestres na utilização das ruas e avenidas. Assim, responsabilizou as instituições públicas e privadas envolvidas na engenharia da produção de mobilização.

Alguns anos atrás, o poder público simplesmente investia no transporte coletivo, pensando sempre melhorar a locomoção da população, e de fato era e sempre será uma necessidade, porém na busca de melhorar a condição de mobilidade, empresas envolvidas com o transporte público fazem pesquisas sobre a origem e destino da população para se entender a dinâmica da  necessidade de investimentos, infraestrutura e procedimentos na adequação da mobilidade. Nessas pesquisas se avalia a locomoção a pé, de ônibus, carro, metrô, trem, bicicleta e de moto. A conclusão de uma pesquisa feita pelo Metrô em 2012 é que 31% se locomove à pé, 31% por veículo, 31% por transporte coletivo e 7º de motocicleta e bicicleta. Daí o pensamento de se pensar, não só nos meios, mas também no pedestre que cada vez mais utilizam as vias públicas, afinal, o ser humano é pedestre por natureza e não deixa essa condição no decorrer de sua vida, apenas alterna os papéis em sua mobilidade.

Quando falamos do principal ator do quadro da mobilidade, precisamos destacar o ser humano. Suas condições físicas, biológicas, mentais e psicológicas, e não isolar a sua cultura. Nesse quadro não se pode estudar, planejar e executar sem uma associação do governo com as instituições privadas e do terceiro setor. Trânsito não deve ser pensado isoladamente.

Para onde uma pessoa se desloca (qualquer meio) é para atender seus interesses ou suprir suas necessidades, quer na saúde, trabalho, educação, religião, lazer etc. Assim, essa pessoa precisa circular com acessibilidade, conforto, fluidez e segurança.

Esse papel social contempla, em parte, o pensamento de Thomas Hobbs (1588-1679) que,  para consolidar uma sociedade é necessário, portanto, que cada ator tenha consciência de seus direitos e obrigações e assim e chegarem a um acordo. Desta forma, todos devem se envolver. 

 

Assim, não existe solução isolada para os problemas oriundos da mobilidade urbana nas grandes cidades. Não basta restringir a circulação de certas categorias de veículos em determinadas regiões, criar rodízios de placas, faixas exclusivas, controle por meio de pedágios etc. Tudo isso é importante, mas precisa haver um vínculo entre as organizações multifacetas, onde as políticas públicas, o terceiro setor e a sociedade em geral, num conjunto de ações, com certeza galgarão uma mudança de comportamento para que o número de vítimas cada vez mais diminua, sem o prejuízo do desenvolvimento numa mobilidade eficaz.

 

J. Bispo Morais é jornalista, comentarista e analista nos temas de segurança pública, trânsito e mobilidade.

 

 

Fonte de pesquisa:

- Morais, José Bispo – Jornalismo de Trânsito (2013);

- Mantovani, Roberta – Educação para Mobilidade (2003)

 

 

 

 

 

 

    

 


Direitos autorais reservados (c) 2009 - J. Bispo Morais - Mtb 63290 -  Proibida a reprodução por qualquer meio sem a prévia autorização

redetransito@redetransito.com.br