ARTIGO - COMPORTAMENTO                                     


Olhar para os lados ainda é a melhor regra para se

atravessar com segurança

 

 Quem nunca ouviu a sua sábia mãe lhe aconselhar “Filho antes de atravessar a rua não se esqueça de olhar para os dois lados”!  Ela sempre teve razão ao lhe aconselhar com essa regra  centenária, pois ainda é a forma mais segura para se atravessar uma rua na qual não seja sinalizada devidamente.

 

       

 

Na busca de alternativas para aumentar a proteção ao pedestre, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP), lançou a campanha “Estenda a mão para atravessar”, assim, o pedestre que pretende atravessar uma via que tenha a faixa de travessia (conhecida como faixa de segurança), porém sem semáforo, estende a mão para sinalizar ao motorista indicando a sua intenção de atravessar.

A campanha teve divulgação por meio de publicidade veiculada nas grandes mídias (e claro, com alto custo ao erário municipal). Por sua vez, as mídias noticiosas divulgaram a campanha, porém sem a opinião crítica por falta de uma visão especializada no assunto.

Ao analisar essa campanha observa-se que ela tem o lado positivo e o negativo. O lado positivo é o esforço das autoridades na busca da redução dos índices de acidentes e o envolvimento dos pedestres na construção de um novo comportamento. O lado negativo é a vulnerabilidade da integridade física que o pedestre  se expõe ao estender  a mão e esperar a atitude do motorista, para efetuar a sua travessia.

Dentro das hipóteses que deveriam ser vistas pelos criadores da campanha e dos meios de comunicação observo:

- A campanha teve foco regional, divulgada na cidade de São Paulo (e também em alguns municípios paulista). Logo, ela é desconhecida em outras regiões do Brasil. Dessa forma, os motoristas oriundos de outras regiões poderão não compreender a atitude do pedestre ao estender a mão;

- Não perceber o sinal, por distração ou não conhecer essa regra e atropelar o pedestre;

- Muitos cidadãos não entenderam as regras e em qualquer lugar da via estendem as mãos, esquecendo-se de que isso só deve ser feito em vias sinalizadas com faixas de segurança que não tenha semáforos;

- O motorista poderá frear bruscamente e criar colisão traseira;

- Para o êxito de seu sinal, o pedestre geralmente avança a calçada e fica sobre o leito viário ficando vulnerável a ser atropelado;

- Se o veículo que segue à retaguarda, não perceber a gentileza do motorista à frente, empreenderá a ultrapassagem e poderá atropelar o pedestre;

- Se a via for constituída de duplo sentido e o veículo que vier pelo lado contrário não perceber o cenário e avançar normalmente, o pedestre, ao atravessar a faixa ficará exposto ao risco;

- Agora, imagine a quantidade de taxistas que se confundiram ao ver pedestres estendendo as mãos sinalizando. No primeiro momento pode até pensar que seja um cliente.

O artigo 69 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece os critérios básicos aos pedestres quanto a travessia, a saber: “...deve tomar precauções de segurança, levando em conta a VISIBILIDADE, a DISTÂNCIA e a VELOCIDADE dos veículos”. Ao estender a mão como regra para se atravessar uma via o pedestre acaba por ignorar as precauções do artigo 69 do CTB.

 Sejamos sensatos. Se o local exige a ação do pedestre estender os braços para ter a preferência na travessia, entende-se que nesse local deveria haver um semáforo ou, no mínimo um redutor de velocidade.  

Diante do que expus quantos acidentes não ocorreram quando pedestres tentaram atravessar estendendo as mãos. Talvez seja por essas e outras razões que não são divulgadas as estatísticas das vítimas e complicações da campanha pontuadas acima.

Entre estender o braço e acenar com a mão, a centenária regra popular “Olhar para os dois lados” e esperar o momento certo para atravessar, ainda é a mais segura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      


J. Bispo Morais é jornalista, comentarista e analista nos temas de segurança pública e trânsito.

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