ARTIGO                                    

 

O uso do celular ao volante e suas consequências

 

Você já se pegou algumas vezes distraído enquanto dirigia?  Por exemplo: enquanto falava ao celular,

escrevia mensagens de textos, procurava músicas ou estação de rádio, lia publicidade,  configurava o GPS, enfim,

 fez qualquer coisa que te levou a uma freada brusca ou até mesmo a um acidente?  A distração ao volante é um

dos fatores humanos que mais influencia nos acidentes e que ceifa milhares de vítimas.  Essa infração agora

 é ‘GRAVÍSSIMA’, imputa 7 pontos na habilitação e o seu valor passa para  R$ 293,47.

Por Jose Bispo Morais 

Assista ao vídeo da campanha

 

De acordo com o Ministério da Saúde, em todo o território nacional, no ano 2000, 29 mil pessoas foram mortas no trânsito. Dez anos após, em 2010, foram quase 41 mil vítimas.

Quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se o condutor não se distraísse com alguma coisa? O THE NEW ENGLAND JOURNAL OF MEDICINE, na edição de janeiro 2014, publicou um estudo no qual indica que a maior causa de acidentes entre pessoas experientes é a distração, sendo que as principais causas relacionam-se ao uso do aparelho de telefone celular (no ato de pegar, discar, falar com ou sem viva-voz, enviar mensagem de texto ou acessar a internet).

Ao tocar, o telefone desencadeia uma série de fatores físicos e psíquicos ao condutor do veículo; a procura pelo telefone desvia sua atenção por alguns segundo e para atendê-lo será  necessário usar uma das mãos. A atenção do motorista é prejudicada simultaneamente no ato de atender e durante a conversação ao aparelho. A atenção e segurança são restabelecidas quando o telefone é desligado e guardado.

Outros fatores apontados pelos estudos são: Pegar objeto dentro do veículo, ajuste de rádio, ar condicionado e de controles dos vidros, cinto de segurança, espelhos retrovisores, olhar cenas externas (colisões, animais, pedestres, construções e etc.), comer, se maquiar e por ai vai.

Desses exemplos, o que mais subtrai a concentração do  motorista, sem dúvida alguma, é o uso do telefone celular enquanto se dirige. Ao segurar o aparelho com a mão, automaticamente é prejudicada a condução veicular.  Prender o telefone com a cabeça  e  o ombro também traz risco,  pois altera  a mobilidade da cabeça e o campo visual.

A natureza da conversa demanda atenção. O avanço da conversa telefônica gera fatores psicológicos e emocionais que resultam em alto grau de distração.  Um desentendimento familiar ou uma simples conversa de negócios distrai o motorista que passa a ignorar os sinais de perigo no trânsito, possibilitando um acidente.

Na cidade de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET, em 2012 autuou 411.138 motoristas,  em 2013 houve uma queda, com o número de 372.726. Em 2014 o número subiu para 382.803.

Perceba a quantidade de multas relativas aos flagrantes dessa infração.

O CTB, no artigo 252, proíbe dirigir veículo utilizando apenas uma das mãos, exceto quando deva fazer sinais regulamentares de braço, mudar a marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo; e também utilizando-se de fones nos ouvidos conectados a aparelhagem sonora ou de telefone celular (Incisos V e VI). A hipótese prevista no inciso V caracterizar-se-á como infração gravíssima no caso de o condutor estar segurando ou manuseando telefone celular.”    

Dessa forma acredita-se que a lei possa inibir a ação delituosa do condutor, principalmente com as mudanças em seus valores e gravidade.

Grande parte dos usuários de celular concorda que falar ao telefone enquanto se está dirigindo não é seguro. Cerca de 70% dos motoristas acreditam que direção e celular não combinam,  mas somente  cerca  de  20%   privam-se  desta  perigosa combinação.  Maria do Rosário Sanson, 38, declara que se envolveu num acidente justamente por não observar esses cuidados - “O telefone tocou.  Enquanto abria a bolsa para pegá-lo, me distrair um pouco e foi suficiente para bater no veículo que estava a minha frente. Apenas danos materiais” - Em recente pesquisa constatou-se que o risco de acidente ao se falar no celular chega a 400%.

Outras situações que levam motoristas a distração, não descritas  no artigo 252, poderão ser enquadradas em dirigir sem atenção e os cuidados indispensáveis à segurança do trânsito (artigo 169), isto quando não existir uma infração específica. Quando a conduta do motorista puser em perigo a segurança alheia, o fato poderá constituir contravenção do art. 34 da Lei das Contravenções Penais (direção perigosa), e o infrator responderá judicialmente.  

Assim, falar ao aparelho celular na condução de veículo, é infração de natureza GRAVÍSSIMA, valor de R$ 293,47 e 7 pontos na habilitação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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